Ensaio
literário dedicado às mulheres do século XX,
que
amaram com liberdade seus homens.
“A minha palavra é
a
espada que corta,
é
a pluma que toca”.
Ficha
Técnica
SUMÁRIO
Beijo de mãe........................................................................................... 7
Auto-retrato........................................................................................... 8
Reminiscências.................................................................................... 14
Toda
mulher......................................................................................... 15
Quando................................................................................................. 17
Me
deixe ver você............................................................................... 19
Alegoria................................................................................................ 21
O
canto do sabiá.................................................................................. 22
Um
novo amor..................................................................................... 24
Esquecidos
lírios................................................................................. 25
As
quatro estações............................................................................... 27
A
amante.............................................................................................. 29
Uma
alegria......................................................................................... 31
O
tempo não passa.............................................................................. 33
Il
tempo non passa.............................................................................. 34
A
ótica do nosso amor......................................................................... 36
Balada
do pescador............................................................................. 38
Minha
amada...................................................................................... 39
Tributo
a paraíso................................................................................. 41
Amar
em silêncio................................................................................. 42
Amare in silenzio................................................................................ 44
Sublime
ser........................................................................................... 46
Dualidade............................................................................................ 47
Preferências......................................................................................... 49
Vontade
de te amar............................................................................. 54
Amor
verdadeiro................................................................................. 56
Luíza.................................................................................................... 58
Alguém................................................................................................. 60
Fim
do mundo..................................................................................... 61
Só
saberei............................................................................................. 63
Amores
noturnos................................................................................. 65
A
noite e o dia..................................................................................... 66
Solidão................................................................................................. 70
O
veleiro e a vida................................................................................ 71
Te
quero................................................................................................ 73
Timidez................................................................................................ 75
Venho
a ti, senhor............................................................................... 76
Lembranças de amigos
Palavras............................................................................................... 80
JBNU,
minha ficção mais real.......................................................... 83
Paixão.................................................................................................. 86
Meu
pai................................................................................................ 87
BEIJO DE MÃE
“A todas as mães,
em especial àquela
que me deu a vida.”
Seu
amor sublime e angelical,
Tal qual uma nota musical
De
um solfejo inebriante,
Ao sabor do vento
E para meu alento...
Minha
face tocará num instante,
Toda vez que, da sua ausência
E
com saudades, meu coração clamar...
pela sua presença.
pela sua presença.
AUTO-RETRATO
“Sou prisioneiro,
da minha consciência
e das minhas responsabilidades.”
I
Nome:
João Batista.
Só
poderia ser este.
Promessa
para o Santo.
Sobrenome:
Brito Cardoso de Pádua.
Altura: mediana, 1,75 cm.
Largura: cada vez maior
Sapato:41. Esconde o que há
de mais bonito em mim.
Sou
da pequena Birigüi.
Embora
tenha estado lá
uma
única vez, gostaria de nela
ter
vivido e de lá jamais ter saído.
Nasci em 1959 no dia
internacional
da ressaca, 2 de janeiro, e é por isto,
que ao primeiro gole, costumo ficar de
porre.
II
Minha infância pobre teve início
em
Araçatuba e se findou no Paraíso,
a
cidade dos Ipês das Minas Gerais,
de
onde guardo boas lembranças...
Dos tempos de juventude,
das namoradinhas e das serestas
nas longas e frias madrugadas.
O destino para longe dali
logo
me levou, fazendo-me,
da
noite para o dia,
meio
órfão de pai e mãe.
Na vida precoce de adulto,
muita dificuldade enfrentei,
Desistir algumas vezes pensei,
mas nunca naufraguei.
Sou
espiritualista convicto.
Jamais
deixarei de ser,
pois
se assim eu não o fosse,
neste
mundo já não estaria.
III
Tudo para mim sempre
aconteceu
muito cedo.
Levantar
cedo é coisa
que
não me apetece,
dormir
também não.
Para a escrita
despertei-me
um pouco tarde. Do tempo
que ainda me resta,
tentarei fazer o melhor.
Casei-me cedo. Também cedo
fui
pai por duas vezes e logo pensei,
que
não mais o seria novamente.
Mas,
as pedras rolaram...
Da terceira vez achei
também
que foi cedo e, confesso,
foi uma grande surpresa
ser pai outra vez.
De repente estou aqui
perplexo
a caminho
da
quarta vez e tudo
parece
que aconteceu ontem.
IV
Acho
sempre que não vou ter tempo.
O
tempo que preciso e talvez por isto,
vivo
sempre com pressa... de olho no tempo,
como
determina meu planeta regente Saturno.
Amei muitas mulheres,
mas nem todas sabem disto.
Duas delas amo em especial:
Bianca e Luíza.
Esta última ainda não
conheço
está por nascer.
Em
breve, eu a terei nos braços
quando
ao mundo vier.
Dizem que sou poeta,
mas só faço versinhos de amor,
quando baixa a inspiração.
Sou intimista e sentimental demais.
V
Detesto
mulheres mal arrumadas,
fome,
homens presunçosos, dor,
criança
chorando, escândalos...
Críticas?
Bastam-me as minhas.
Sempre me achei mediano.
Mediano em quase tudo.
Sempre estive
buscando o fiel
da balança. Ah! Que utopia!
Sou
um idealista.
Humanista
por convicção.
Simples
por natureza.
Perseverante
por vocação.
Nunca fui muito
ousado
muito menos abusado,
As mulheres muito admiro,
respeito e idolatro.
VI
Gosto
de viagens, peixes, mar,
liberdade,
muita liberdade.
Amigos?
Poucos, muito poucos,
meus
filhos em particular.
Me acho um mau marido.
Porém, como amigo, nem tanto.
Na cozinha só lavo pratos.
Na sala me queixo do jantar.
Sou
diplomata por vocação,
teria
sido um bom advogado.
Administro
muito bem,
mas
só o que é dos outros.
Meu lema é a confiança.
Viver é meu maior desejo.
Minha força é a esperança.
Amar sempre...é tudo que almejo.
Amar sempre...é tudo que almejo.
REMINISCÊNCIAS
“Alimente sonhos,
seu futuro está na sua mente
e depende deles.”
Os
beijos que tu me deste eram doces como mel,
Mas
se foram logo, como nuvens passageiras no céu.
Os
carinhos que outrora me fizeste com teus abraços,
Hoje,
só os tenho nas recordações dos nossos laços.
Contemplo
nosso passado e desejo o porvir.
Numa
palavra, num gesto teu que me faça sentir
Meu
pulso, minha força, meu eu, meu sentido,
Para
esquecer de vez o tempo perdido.
Minha
alma que transcende a razão
Me
leva a trilhar desconhecidos caminhos do coração
Em
busca de novos amores e a outros esquecidos.
Vejo teu semblante em cada rosto, em
cada feição
De
mulher, de menina, ainda que pouco parecidos...
Mas,
é assim que me deixo levar nas reminiscências da paixão.
TODA MULHER
“A natureza não é só bela
como também harmoniosa e rica,
sobretudo transcendental, ou seja,
vai além daquilo que imaginamos conhecer.”
Toda
mulher tem a sua beleza,
Pode
ser Jaqueline ou Tereza.
Toda
mulher tem a sua ginga,
Pode
ter dezoito ou mais de trinta.
Toda mulher tem um remelexo,
De quadril largo ou estreito,
De andar macio ou de qualquer jeito,
Por onde quer que passe, me faz cair o queixo.
Toda
mulher tem a sua graça.
Qualquer
sorriso que me faça
Me
deixa sem graça, me acanha,
Me
enche de manha, até me assanha.
Toda mulher tem a sua
alegria
Quando menina inspira devoção
Quando mulher é toda emoção
Ilusão dos sonhos, leva a devaneios e
euforia.
Toda mulher tem o que
tem
Mas, todo homem quer dar-lhe um vintém
Para que seja a odalisca de seu harém
Mas, engana-se quem pensa que não há um
porém.
QUANDO
“Ninguém beija alguém
que não ama por muito tempo,
pois o beijo é a expressão maior
do carinho e da verdadeira paixão.”
No coração de uma mulher
Nunca
se sabe qual amor que lá existe
Mas
mesmo assim, na incerteza
Da
existência deste sentimento
Nós,
os homens, as amamos, as adoramos.
Há amores dúbios
possesivos
místicos
fraternos
impossíveis
joviais
inconseqüentes
e,
por conseguinte...
Quando se ama uma mulher...
Se é capaz de tudo
E
de até, se for preciso,
Morrer
por ela.
Quando se ama uma mulher..
O sonho se torna realidade
E
tudo é tudo e nada mais
A
entrega é total, incondicional e para sempre
O
amor é indissolúvel, intermitente.
Quando se ama uma mulher..
Tudo à sua volta se enleva
Se
exprime como algo divino
E
se chega à plenitude do verdadeiro amor
Da
criatura do amor e do seu Criador.
ME DEIXE VER VOCÊ
“A realidade
não me basta.”
Me deixe ver você!
Da
última vez que amei você
Eu
jamais vou me esquecer,
Te
farei feliz, você vai ver!
Mesmo
que seja pela última vez.
Me deixe ver você!
Mesmo que você não queira mais me ver
Quero ter você outra vez nos meus braços,
Sentir seu perfume, seu carinho e seu
abraço.
Tente mais esta vez!
Mesmo que seja pela última vez.
Me
deixe ver você!
Sei
que mais uma vez não terei jamais!
Quero
tocar os seus cabelos e a sua pele macia
Quero
te envaidecer e te fazer feliz
Quero
ver você sorrir outra vez!
Mesmo
que seja pela última vez.
Me deixe ver você!
Quero guardar as lembranças
Para sempre no meu coração, para delas
viver
Todos os dias que ainda me restam na
vida.
E se eu jamais vir você...
Não mais me entristecerei,
Mesmo que você não mais venha me ver
Mesmo que seja esta a última vez!
Me deixe...
ALEGORIA
“Não há como viver com
dignidade,
quando não há na vida...
liberdade.”
Tudo para mim está suspenso
Não
há nada em movimento
Nem
mesmo um alvo lenço
Tremulando
no firmamento.
Não
há nada no pensamento
Nem mesmo um
encanto
A me acenar
com um alento,
A levar-me
daqui por enquanto.
Nem
mesmo um sorriso, uma graça,
Ou
uma nova e hilariante alegria
Não
há nada ainda que me faça
Sentir
uma extasiante e íntima euforia
Vinda de uma
realidade que não passa
De uma constante e insensata alegoria.
De uma constante e insensata alegoria.
O CANTO DO
SABIÁ
“Compreender a natureza
é o mesmo que desvendar
os mistérios de Deus.”
O dia já vem chegando
Meu
amor já vai embora.
O
sol já vem raiando
Meu
bem parte sem demora.
Me
lembro das manhãs que ele, meu bem,
Para
ouvir o canto do Sabiá
E
ver o esmaecer do orvalho sobre a flora,
Juntinho
de mim ficava.
Meu bem para mim sei que não mais
voltará
Mas,
quando ouço o canto do Sabiá, clamo pelo seu amor
Na
esperança de ver meu bem, pelo menos mais uma vez.
Quando
sinto que ele, meu amor
Para
perto de mim não mais voltará
Para
sentir o meu calor... choro, imploro,
Para
ver meu bem e me sinto triste,
Coração
partido, tristeza sem fim.
O
sol aparece e lá no alto canta alegre o Sabiá.
Meu
bem não vem e com o sol raiando no firmamento
Desaparece
a esperança de ver o meu amor voltar para mim.
O
Sabiá no seu lindo canto,
Faz
meu íntimo sentir o seu encanto
E
quem sabe! Por encanto o Sabiá no seu canto
Vai
trazer para mim aquele que um dia foi meu encanto.
E
quem sabe! Amanhã de manhã,
Meu
amor como que por encanto...
UM NOVO AMOR
“Vivo em um constante estado
de amor...”
Sem
ao menos me dar conta um novo amor de mim se aproximou
Nos
seus olhos vi chamas de uma grande paixão jamais vista antes
Serenidade
no semblante com um sorriso nos lábios me beijou
Nos
seus lábios senti um desejo ardente próprio e somente dos amantes.
De
mansinho foi chegando e profundamente me fitou
Da
sua boca doces palavras suavemente saiam
Delicadamente
suas mãos macias no meu corpo tocou
Daquele
instante em diante nossos sentidos nada mais percebiam.
O
calor de fim de verão nossos corpos nus na varanda aquecia
O
vento com sua brisa refrescante lentamente foi nos cobrindo
O
quebrar das ondas do mar azul bem ao longe se ouvia.
No
cair da noite meu novo amor, assim como veio, foi se indo...
No
meu íntimo o coração sossegado e tranqüilo mais forte batia
No
mar adentro lentamente sua silhueta ao longe foi sumindo, sumindo...
ESQUECIDOS LÍRIOS
“Somos folhas
secas desprendidas
de suas verdadeiras origens,
que ao
sabor do vento, se juntam e
se separam.”
Já falei das minhas andanças
Das
minhas íntimas nuanças.
Já
falei da natureza e da beleza que há
No
luar de Paquetá e no cântico do Sabiá.
Já falei de flores,
Esqueci-me dos lírios.
Já falei de amores,
Esqueci-me dos lírios.
Esqueci-me dos lírios
que há
Nos campos verdejantes.
Esqueci-me das flores que há
Nos campos de lírios alvejantes.
Como
pude cometer tal ousadia?
Como
e amiúde cometi esta avessia?
Oh! Lírios da minha terra querida,
Queridos lírios outrora por mim
esquecidos.
Oh! Lírios que sois qual a minha vida,
Que nascem e renascem dia a dia
rejuvenescidos.
Oh! Lírios! Que me
tendes como amante
Tanto com o frescor do orvalho ao
alvorecer
Quanto sob o calor do Sol inebriante,
Findo crepúsculo do entardecer.
Sob a chuva que vos
traz a vida de Deus
Sob o vento que balança vossas copagens
Acenas para mim com um cândido adeus
Deixando-me com saudades destas
paisagens.
AS QUATRO ESTAÇÕES
“Eu lhe asseguro que
tudo que possuo se encontra
acima dos meus olhos”
Já faz algum tempo
que se faz presente
Quatro estações
Na minha vida...
À primeira, o outono
Pródigo, rico e frutífero,
Dei o nome de Daniel.
À segunda, o inverno,
Misterioso, sombrio e acolhedor,
Dei o nome de Vitor.
À terceira, a primavera,
Bela, formosa e admirável,
Dei o
nome de Bianca.
À quarta, o verão,
Alegre, expansivo e energético,
Dei o nome de Luíza.
Todas elas, as estações, com suas
Respectivas e típicas belezas
Se completam e são,
sobretudo, a razão
Do meu viver.
e é por isso, Papai do Céu,
Que todas os dias
No silêncio do meu quarto,
Eu Te agradeço imensamente.
A AMANTE
A AMANTE
“Escrevo poemas porque gosto
e crônicas para quem gosta.”
Às
vezes sim, às vezes não,
Você
me beija com tanta paixão
Que
me faz pensar só em ilusões,
Me
faz sentir novas emoções.
Meu bem, meu bem...
Nos seus carinhos me sinto amada
Nos
seus abraços me envaideço
Me
entrego, me enlouqueço,
Me
sinto uma chama inflamada.
Meu
bem, meu bem...
Quando
me diz em voz baixinha teus enganos
Me
esqueço de todos os meus desenganos
E
me entrego a você na minha intimidade
Onde
nos amamos com total liberdade.
Meu bem, meu bem...
Ah! Que volúpia tem sido a nossa sina
Você
aqui, me amando, tanto me fascina
E
mesmo por um proibido instante
Me
faz feliz e alegra meu viver inconstante.
UMA
ALEGRIA
“A vida é um doce à altura
do seu paladar.
Nunca coma demais!
Quero uma alegria...
Só uma alegria
Uma
simples alegria
Uma
alegria de criança
Uma
alegria autêntica,
Sincera
e esplêndida.
Quero uma alegria...
Que me faça sorrir
Um
sorriso real,
Verdadeiro
e natural.
Que
me faça esquecer
De
tudo que não fiz
Que
me faça sorrir
De
tudo que sempre quis.
Quero
uma alegria...
Com
esperança,
Com
olhos de criança
Sobretudo,
quero ser feliz
É
tudo, tudo que sempre quis
E
depois de tudo...
Depois de uma alegria
Ainda
que tardia,
Mesmo
que seja uma única,
Uma única alegria...
Na
manhã do dia seguinte,
Se
não mais eu estiver aqui,
É
porque morri feliz, muito feliz.
O TEMPO NÃO PASSA
“Quem planeja conhece o
futuro.
Se for alguém de fé então,
já pode gastar por conta.”
No
vaivém de gente que passa na praça
Não
vejo ninguém que me faça
Um
aceno, um sorriso, uma graça....
O
tempo não passa.
Nas silhuetas de gente que nem conheço
Nos
jeitos de alguém que vem pelo meu lado direito
Vejo
um jeito de ver você de qualquer jeito.
Mas,
não a vejo e quase me endoideço....
O
tempo não passa.
Contemplo
a árvore, o pássaro, o céu
Faço
seu nome num risco sobre o papel
Rabisco
palavras... palavras sem sentido
Sinto
saudades no meu coração doído...
O
tempo não passa.
Na minha ficção vivo uma ilusão
Na
esperança da sua vinda as lembranças se vão
Resta-me
apenas o tempo em que um dia talvez....
Uma
grande paixão aconteça e me faça o tempo passar de vez.
IL
TEMPO NON PASSA
Versione: Ornella A. Kuacchia
Nell’
andirivieni di gente
Che
nella piazza passa
Non
vedo neanche uno che,
Un
cenno, un sorriso, un gesto mi faccia....
Il tempo non passa.
Dal profilo della gente sconosciuta
Che
si aggira
Dal
modo come qualcuno alla mia destra
Si
avvicina
Mille
modi di vederti la mia mente rimugina
E
non vedendoti, la testa mi gira...
Il
tempo non passa.
Contemplo l’albero, l’uccello, il cielo
Il
tuo nome abbozzo su un foglio
Parole...
parole senza senso scarabocchio
Nostalgie
nel mio cuore sofferto risveglio...
Il tempo non passa.
Un’ illusione vivo nella mia fantasia
Nella
speranza del tuo arrivo
Ogni
reminiscenze va via
Mi
rimane soltanto il tempo in cui
Um
giorno chissà...
Una
grande passione sopravvenga e
Il
tempo mi faccia passare.
A ÓTICA DO NOSSO AMOR
“Creio que nasci para o amor
mas,
talvez por ele, morra
também.”
O nosso amor não tem fim
De
repente, começa assim...
Tudo
se finda num único tempo
Imensurável,
volátil, como o vento.
O nosso amor é descabido
Não pode sequer ser medido
Nem por mim, nem por
ninguém
Mesmo que queira, nem por você também.
O nosso amor é
assim... acontece,
De manhã, à tardinha e quando
anoitece...
Até parece uma loucura,
Mas é uma eterna gostosura.
O
nosso amor é nosso, meu e seu
Só
mesmo eu e você, você e eu
Sabemos
o quanto ele é nosso
Só
que às vezes, dele eu me aposso.
O nosso amor nos
conduz
A mim e a ti, como uma luz
Que reluz sobre espelhos de marfim
Onde me vejo em ti e você em mim.
O nosso amor continua...
Ainda que diante de mim,
Meio sem graça, você... quando nua,
Se entrega e me ama muito afim.
E assim... nos transformamos
numa única fonte
Qual feixes de luzes
a brilhar no horizonte
Sobre o vértice de um
prisma que se unem
E, após o arco-íris
que se forma, se dividem.
BALADA DO PESCADOR
“O entardecer
é a esperança de
um novo dia, tão lindo
quanto o que se finda.”
Vai pescador, vai pescar seu peixe
Encha
seu coração de esperança
Esqueça
as tormentas da vida e deixe
Sua
alma brincar, tal qual a de uma criança.
Sorria para a mãe
natureza
Respire fundo o frescor da manhã
Sinta o Sol que doura a sua pele com
leveza
Ouça o cantar estridente da Araquã.
Veja à sua volta as
águas cristalinas
Que correm em direção ao mar
Levam consigo seus sonhos além das
colinas,
Mas nunca deixam de te encantar.
Balança pra lá, balança pra cá,
Teu barco sobre a balada
Das ondas que fazem chuá, chuá,
Que trazem você de volta... de volta
para a sua amada.
MINHA AMADA
“O amor é um sentimento
primitivo,
próprio da criação e muito
longe da razão.”
Seus segredos ainda não os conheço
Sequer
faço parte dos seus devaneios
Sinto
o perfume que há em seus seios
Quando,
na quietude, ao seu lado amanheço.
Entre nós, há sempre uma doce fragrância
Toda
vez que você com suave elegância
Me
beija, me ama, sorrindo me abraça,
Me
faz um aceno e me deixa sem graça.
No seu olhar há lampejos
De
toda uma vida a brilhar
No
meu olhar há desejos
De
uma nova vida a trilhar.
E
a vida, ainda que breve e incerta,
Me
enche de amor e esperança
Qual
uma criança viva e esperta
Que
faz da fantasia uma lembrança.
Seu sorriso ingênuo me seduz
A
loucuras mil me conduz
Ainda
que, por um instante fugaz,
No
meu íntimo posso sentir a sua paz.
Entre tantas outras minhas
Outrora,
lindas namoradinhas,
Encontra-se
em você, minha amada,
A
ternura por mim tão desejada.
TRIBUTO A PARAÍSO
“A miséria é a privação do
corpo,
a ignorância é a da alma.”
Levando ilusão no coração
Em
busca de uma nova vida
Esta
cidade, Paraíso, terra querida
Certo
dia, me viu partir sob forte comoção.
Andei por tantas outras diversas cidades
Vi
aqui e ali desilusão e calamidades
Por
onde quer que já passei
De
ti, Paraíso, sempre falei.
De saudades de ti sempre me queixei
Até
para íntimos amigos confessei
Que
um dia para perto de ti voltaria
Cidade
Paraíso, cidade dos Ipês, cidade alegria.
Espere por mim, meu torrão, meu Paraíso
De
braços abertos e com um grande sorriso
Qual
mãe que recebe seu filho um dia perdido,
Mas
que sempre será seu filho... filho querido.
AMAR EM SILÊNCIO
“O amor é o
sentimento
dos seres imperfeitos,
posto que a função do amor é
levar
o ser humano à perfeição.”
Aristóteles
Um
amor em silêncio...
É o prelúdio de uma tempestade
que nem sempre acontece,
Um
amor em silêncio...
É tal qual a dor do parto
que naturalmente se sucede,
Um
amor em silêncio...
É desejar intensamente por excelência,
Um
amor em silêncio...
É viver uma grande paixão por
antecedência.
No
meu silêncio...
Vejo você, ainda que estejas ausente,
No
meu silêncio...
Você, amiúde, se faz presente,
No
meu silêncio...
Você, por onde quer que eu ande,
é a minha amada amante,
No
meu silêncio...
Me encerro, me fecho,
num crepúsculo intrigante.
Vivo
no meu silêncio...
Um amor quase que insano
Vivo
no meu silêncio...
Um amor quase que profano
Vivo
no meu silêncio...
Uma verdadeira fantasia
Vivo
no meu silêncio...
Uma alegoria que me extasia.
Amar
em silêncio...
É o mesmo que, na agonia,
pela primavera esperar,
Amar
em silêncio...
É o mesmo que, na ansiedade,
esperar pelo dia seguinte,
Amar
em silêncio...
É um eterno esperar e por conseguinte,
Amar
em silêncio...
É admitir que este amor,
jamais morrerá de tanto... esperar.
AMARE IN SILENZIO
Versione:
Roberto Sabelli
Un amore in silenzio
é il preludio di una tempesta
che non sempre arriva
Un
amore in silenzio
é il dolore del parto
che naturalmente si avvicenda
Un
amore in silenzio
é desiderare intensamente il massimo
Un
amore in silenzio
é vivere una grande passione
anticipatamente.
Nel
mio silenzio...
ti vedo ancorché tu sia assente,
Nel
mio silenzio...
tu, ripetutamente, appari
Nel
mio silenzio...
tu, dovunque io vada,
sei la mia amata amante
Nel
mio silenzio...
mi nascondo, mi chiudo,
in un crepuscolo intrigante.
Vivo
nel mio silenzio
un amore quasi insano
Vivo
nel mio silenzio
un amore quasi profano
Vivo
nel mio silenzio
Una vera fantasia
Vivo
nel mio silenzio
una allegoria che mi manda in estasi.
Amare
in silenzio...
é come, nell’agonia,
aspettare la primavera,
Amare
in silenzio...
é come, nell’ansietá,
aspettare il giorno dopo,
Amare
in silenzio...
é un’eterna attesa e infine,
Amare
in silenzio...
é dover ammettere che questo amore
mai morirá per tanta... attesa.
SUBLIME SER
“A melhor maneira de ser
feliz,
ainda é... celebrar a vida
todos os dias”.
Na perene beleza feminina
Na
meiguice subjacente
No
olhar de vida presente
Há
sempre traços de menina.
No olhar, no andar, na esquina,
Figuras como mulher competente.
Agente e delicada, qualquer um fascina.
Como amante e mãe serás eternamente...
Com
admirável e notável beleza
Inspira aventureiros,
poetas e amantes,
Encanta homens e
Deuses com sutileza.
Na Terra serás sempre como brilhantes,
Raros, ofuscantes, eternos e perfeitos
E jamais te arrependerás dos teus
feitos.
DUALIDADE
“Há verdadeiras amizades
disfarçadas de amor, sem ciúmes,
sem posses e rancores.”
I
Ah! Que tormento!
Tem
sido este meu viver.
Para
sobreviver...
Preciso
de um alento.
Não
vou chorar! Pelos miseráveis.
Não há lugar no mundo
Onde
eu possa descrever
A
amargura que me vai fundo
No
coração, com este meu viver.
Não
vou chorar! Pelos infelizes.
II
Há tanto tempo me domina
Esta
impiedosa tormenta
Da
qual minha alma se alimenta
E
em vão se abomina.
Não
vou chorar! Pelos meus amores.
Vivo em constante dualidade
Possuído
por ilusão e realidade
Entre
verdade e mentira
Que
o meu viver, a cada dia, me atira.
Não
vou chorar! Por mim...
Pois
posso morrer a qualquer momento.
PREFERÊNCIAS
“A dor é inerente à vida,
pois não há vida sem dor e
não há dor onde não há vida.”
I
Gosto do campo, ar puro e do verde das
matas...
Respiro fumaça na cidade cinzenta e sem
cores.
Gosto da paz e do sossego do meu
canto...
Corro risco de vida em cada esquina no
agito urbano.
Gosto de Vinícius, Machado de Assis e de
Drummond...
Diante deles sou tão pequeno!
Gosto de Cazuza, Renato Russo e Elis Regina...
Estão todos mortos.
Nunca os vi pessoalmente.
Que pena não?
II
Gosto do mar e também de navegar...
Moro tão longe que dele até me esqueço.
Gosto de viajar, de conhecer novos
lugares...
Já me esqueci da última viagem que fiz.
Gosto dos meus filhos e das minhas
filhas...
Deixei meus pais ainda criança
porque me julgava infeliz.
Que impetuosidade!
Me arrependo do que fiz.
Gosto da juventude e da vida...
A primeira já se foi há muito tempo e eu
nem percebi
A segunda, bem... estou morrendo dia a
dia, logo...
Tenho pressa. Muita pressa, pois a cada
dia
Vai se indo o resto de vida que suponho
ainda ter.
III
Gosto de festas, shows, luzes...
Me fecho numa intrigante timidez
Me queixo, sem razão, da falta de
amigos.
Gosto de whisky e de tabaco...
Meu fígado, coitado, nem um pouco e o
pulmão então....
Melhor esquecer isto e mudar de assunto.
IV
Gosto de mulheres, de muitas e da minha
também...
Às vezes me sinto só. Abandonado por
elas
E as culpo por isso injustamente.
Reconheço.
Gosto da noite, da lua e das madrugadas
silenciosas...
Trabalho o dia inteiro e não vejo um
crepúsculo sequer.
Gosto de poesia, de rima e de beijos
molhados...
Só os tenho tido secos
e as poesias que leio não me apetecem
Quanto às rimas, estão fora de moda.
Tento não usá-las.
Gosto do amor e da paixão...
Onde estará a minha? Nem eu mesmo sei.
V
Gosto da leitura. Tenho muita sede do
saber...
Com tudo que tenho por fazer
Não me permito saciar esta sede.
Gosto da escrita como gosto de viver...
Vivo para escrever, não escrevo para
viver
Acredito que tenho algo para dizer.
E assim...
Vou vivendo
meus pequeninos dias
Talvez nem tanto como gostaria, porém,
Nesta interminável gostosura que é
viver,
Vivo gostando, amando, brincando,
chorando
E tudo vai se juntando... juntando... juntando...
Até que um
dia... quem sabe!
Eu não mais me
sentirei
Tão pequeno
Tão insignificante neste universo
Tão imenso... imenso... imenso.
VONTADE DE TE
AMAR
“Quando se ama,
não há nada a temer,
pois o amor é a maior
força do Universo.”
Chega ao fim mais um dia brilhante e
ensolarado
Deste
início de primavera tropical que se insinua.
Sob
um crepúsculo intrigante, carnal e declarado,
Vejo
você em parcas nuvens. Está quase nua.
Ah! Que vontade de te amar!
Me entrego a profundos devaneios que só
eu mesmo
E minha alma conhecem os verdadeiros
caminhos.
Me aquieto, me fecho, me busco em
carinhos
Que não ouso revelar a alguém e a esmo.
Ah! Que vontade de te amar!
À
distância, nuvens e sonhos rapidamente se dissipam,
Em
um piscar de olhos me volto para a minha realidade.
O
cantar de vaidosas cigarras a toda volta me invade,
As
folhas secas que caem do alto suavemente me apalpam.
Ah! Que vontade de te amar!
Sou tão pequeno para
conter toda essa paixão
Que deságua do fundo do meu ser em
prantos.
Me entrego, me rendo. Vencido, vou ao
chão
E me ponho a soluçar. São tantos
soluços, tantos...
Ah! Que vontade de te amar!
Me
recomponho como uma frágil planta ao renascer.
Respiro
fundo. Permito que a brisa tome conta de mim.
Uma
última lágrima insiste em cair sobre o jasmim
Que
seguro com mãos tremulas para te oferecer.
Ah! Que vontade de te amar.
AMOR
VERDADEIRO
“Às vezes, o
ar que respiro
e o seu amor
é tudo que preciso para
viver.”
Um
amor verdadeiro...
É um amor espiritual,
Tal qual o de Romeu.
Que é igual ao meu,
Total, incondicional
E... por inteiro.
Um
amor verdadeiro...
É um amor de olhos que brilham
É um amor de corações imbuídos
De eternas chamas. De almas que trilham
E comungam caminhos escolhidos
Mas que nunca se consomem por inteiro.
Um
amor verdadeiro...
Qualquer que seja seu hospedeiro
Tem de ser vivido na sua plenitude
Com dedicação total e atitude
De quem ama porque ama!
Sem dramas e nenhuma trama.
Um
amor verdadeiro...
Tem de ser um amor transcendental,
Com leveza e clareza mental.
Atual no seu tempo, mutável,
Tal como o ar, volátil, renovável,
Puro, pleno, para sempre e... por
inteiro.
Um
amor verdadeiro...
É um amor único, sem ser somente um,
É um meio sem ser meio ou parte de
algum,
São forças em metades e separadas que se
juntam
Que se unem, que se complementam
E naturalmente se amam por inteiro...
Sob os desígnios e a vontade
de um deus
também verdadeiro.
LUÍZA
“O amor
pertence à natureza,
simplesmente
acontece, a
qualquer
momento, amiúde,
quando o dia
amanhece.”
Teus olhinhos são tão negrinhos
Teu
sorriso aberto é tão faceiro.
Faço
parte de ti por inteiro.
Tua meiguice
inigualável é tão pura
Teu jeitinho especial e teus carinhos...
Hum! São uma doçura!
Ah! Luíza, minha Luíza!
Tu, meu amorzinho, tanto me fascina
Que
me esqueço de tudo. Oh! Meu Deus!
Meus
olhos, criatura, são todos teus.
Dos
sonhos de Arlequim és a Colombina
Nunca
vi tanta alegria assim menina!
Acho
mesmo que és para mim uma sina.
Ah!
Luíza, minha Luíza!
És a cunha da minha fenda,
Que me completa perfeitamente,
Que me farás feliz como numa lenda.
E é por isso, e tudo mais, que me rendo
A
todas as evidências da minha mente.
Meus
braços para o teu abraço estendo...
Minha
filha, Luíza!
Alguém
“Na vida tudo é relativo e
mutável.
Você não é a mesma pessoa de
ontem
e nem será a de hoje,
amanhã.”
Em todo lugar há sempre alguém
Que
sempre procura alguém, mas
Há sempre alguém sem ninguém,
E esse alguém não encontra paz.
Até parece que a felicidade consiste
No encontro de alguém, que julgamos
Compreender o que nós, egoístas, amamos.
Mas será que esse alguém realmente existe?
Na inquietude da nossa jovem alma
Buscamos, amiúde, outra gêmea
Tal qual macho e fêmea
No encaixe perfeito e sem trauma.
E desta insólita busca interminável
Nascem e morrem encanto e sonhos
Cada qual com seus desfecho formidável
E alguns até, confesso, muito estranhos.
FIM DO MUNDO
“A dedução é o caminho
mais curto para o erro.”
O mundo acabou!
Sim,
o mundo acabou amigo!
Veja
você mesmo...
Não consigo falar com meus amigos
Nem
mesmo quando uso aquele brinquedo!
Aquele
moderno brinquedo falante
Que,
hoje em dia, todo mundo deseja.
Quando
me telefonam não me encontram,
Quando
é a minha vez o mesmo acontece.
No dia a dia, daqui pra ali, me vou correndo
Me
falta tempo para um deleite de um café,
De
uma boa prosa e de um sossego,
Me
falta tempo para quase tudo que faço.
Quero
prestar atenção no espaço a minha volta,
Apreciar
uma bucólica paisagem cinzenta,
O
vaivém engraçado de gente apressada
Mas,
a trepidância da cidade não me deixa.
O dia chega ao fim e anoitece
Bate
no peito uma inspiração
Ensaia-se
uma incipiente reação
Contudo,
nada acontece.
Já
é noite madura e com resquícios
Do
que me sobrou de vida
De
mais um dia de pouca vida,
Exaurido,
me vou ao leito e lá,
Entorpecido,
por um instante, adormeço.
O instante seguinte é de um novo dia
De
corre-corre, de idas e vindas,
De
apitos, grunhidos e de sofreguidão.
Quanto
mais eu me apresso
Tudo
a minha volta mais rápido acontece
Parece
que não há um fim
Neste
giro estonteante e sem fim.
Acho
que perdi o meu expresso...
E
o mundo acabou.
SÓ
SABEREI
“Sabe qual é o seu tempo?
É agora.”
Oh!
Tristeza se afaste de mim,
Pois
saiba que no meu coração
Não
há lugar para você.
Esta melancolia que toma conta de mim
Não
me abate e não me faz desistir de viver.
Só
os pobres de espírito,
Os
fracos e os derrotistas se deixam levar
Na
torrente da tristeza e da infelicidade.
Se
a vida hoje não me oferece tudo que quero,
Será
porque ainda não sei o que dela quero?
Se
assim soubesse o que dela quero,
Me
daria ela tudo que quero?
No
dilema da vida só sei que...
Se
chorei num dia,
num
outro também sorri e
muitas
lições tirei.
E
quantos dias ainda
Na
trilha da eternidade viverei?
E
quantas alegrias ainda na vida sentirei?
E
quantos afetos e abraços ainda trocarei?
E
quantos sorrisos ainda darei?
E
quantos ainda amarei?
Só
Saberei
se deixar fluir o meu viver.
Só
Saberei
se descobrir que o mais importante é viver.
Só
Saberei
se os momentos da vida
na
sua plenitude eu souber viver.
Só
Saberei
se intensamente todos os minutos da minha,
só
a minha vida, eu viver.
Só
Saberei
se viver e amar, amar e viver, viver
e
amar, amar e viver, viver....
AMORES
NOTURNOS
“Em casos de amor,
não ofereço garantias,
também não as peço.”
É no silêncio da noite
Que encontro o meu refúgio
É no silêncio da noite
Que encontro o meu refúgio
É no silêncio da noite
Que
me vejo como eu sou.
Na
noite e no silêncio que se faz,
Falo
comigo e com meus amores.
Relembro
com desdém o passado
E
almejo ansiosamente o futuro.
É na noite calma, fria e serena
Que
os anjos sossegam meu coração,
Inquieto
e ardente por novas emoções
Nem
ele mesmo, indolente como é, sabe lidar.
É
assim que eu e a noite — no silêncio — nos amamos.
Ela,
acalentando assaz meu pequeno coração
E
eu, me rendendo aos seus afagos e apelos,
Para
no silêncio do meu quarto, conquistar a paz.
A
NOITE E O DIA
“A vida é feita de escolhas,
todavia para cada escolha
há sempre uma renúncia.”
I
Houve
um tempo em que a Noite,
cansada
de ser escura e sombria,
rompeu
com o Dia, pois do Sol
um
pouco de luz a Noite tanto queria.
O Dia ficou triste e magoado
com
a insolente Noite, outrora
sua
companheira de tantas e tantas jornadas.
A
Noite, contrariando a natureza,
rompia
com o que havia sido por tanto,
tanto
tempo, uma união perfeita entre luz e escuridão.
II
O Dia soube do Sol de que nada podia
contra
aquela insistente mania da Noite
para
possuir o calor e o brilho
de
seus aconchegantes raios.
Diante da ameaça da Noite
de
invadir o Dia e torná-lo para sempre
tão
escuro quanto ela mesma,
o
Dia amanheceu chorando.
Foi assim que o Dia
passou
pelo meio-dia em prantos de mulher,
aguardando
a Tarde que estava por vir...
Veio
a Tarde e o Dia continuava chorando.
Agora,
torrencialmente!
III
Aos céus! A Terra rogou
para
que o Dia não mais chorasse,
mas
não foi atendida.
Os
pássaros voaram
para
cada vez mais distante da Terra,
que
ao todo já se enchia e nela
vida
já não mais havia.
O Sol diante da agonia
da
Terra prestes a sucumbir
com
tanta água
e
do interminável pranto do Dia...
clamou
ao seu Criador
para
que desse à Noite
ao
menos parte do seu brilho.
Afinal, nele havia tanta luz e calor
que
talvez nenhuma falta lhe fizesse.
O
Criador, sabendo da loucura
do
Sol em mudar o que estava perfeito,
permitiu
que, à inconsolada Noite, cedesse
apenas
uma parte de sua luz e beleza,
porém
ao Sol advertiu que a vida poderia lhe custar.
I
V
O
Sol, de coração comovido,
com
os desejos insanos da Noite
e
compadecido por seu filho Dia,
rendeu-se
aos apelos da Noite.
E
é por isso que, hoje,
a
Lua ilumina a Noite
e,
no amanhã, ainda que distante,
não
mais teremos o Sol,
cujo
destino é desaparecer.
por
amar com a sua própria vida
tanto
o Dia, quanto a Noite, a Lua, a Terra...
SOLIDÃO
“Nunca estou só,
ando sempre com ela
ao meu lado, a solidão.”
Daqui de onde estou, quase tudo que vejo
Sob
a imensidão pálida do firmamento
É
um modo de vida que já não mais almejo
E
não há nada que possa servir-me de alento.
É
um fim de tarde cinza, sombrio, de pouco vento,
Próprio
de um dia quase que frio, ermo e sem desejo.
Não
há no ar uma nova alegria, nem um novo ensejo,
Nem
um colorido sonho renascido do esquecimento.
No
fundo da minha alma, há algo firme, estático,
Intrigante
e à espera de um crepúsculo iminente,
De
um desfecho final alegórico, quase que fantástico.
Indefinido,
irresoluto, indecifrável e intermitente
O
vazio de uma solidão angustiante, cujo ensaio prático,
Nos
palcos da minha vida, se faz sempre presente.
O VELEIRO E A VIDA
“Para a leitura de meus
poemas,
dispensa-se o uso de
dicionários.”
A
vida se assemelha a um pequeno veleiro,
que
tomado por uma calmaria dos mares,
fica
pacientemente e solitariamente
por
longos e angustiantes momentos,
à
deriva e à espera dos ventos.
Os
ventos...
quase
que sempre sopram na direção
diversa
da que almejamos e desejamos.
E
isto nos leva a imprescindíveis ajustes
de
rota na bússola fiel e precisa que nos guia.
Os
ventos...
nem
sempre são os mesmos,
tanto
na intensidade quanto na direção,
não
dependem de nossa vontade,
nem
mesmo os finos grãos de areia,
que
escoam do alto para baixo numa
minúscula
ampulheta do tempo,
aguardam
por nossa vontade.
Os
ventos...
se
movem paulatinamente,
sobretudo,
naturalmente,
tal
qual tudo na vida,
porém,
para um desfecho
quase
que sempre imprevisível.
Cada
um de nós tem a sua bússola e o seu veleiro.
O
veleiro é a sua vida, a bússola é a sua consciência.
Os
ventos são os intempéries presentes na sua vida.
TE QUERO
“Esta vida, ainda que breve
e incerta,
é plena de agradáveis
surpresas.
Uma delas na minha foi
encontrar você.”
Te
quero, te quero,
Mas
não te quero
Te
querer me dói tanto, tanto
Que
até a mim causa espanto.
Eu, que jamais, jamais,
Pensei em amar alguém a mais,
Me vejo agora e logo agora...
Prestes a uma paixão da hora.
Por
isso, me pergunto, me pergunto...
Por
que é que te quero assim... tão junto,
Tão
junto de mim, se creio que tenho tanto
Mas,
bem sei que nada tenho, portanto...
No meu diálogo silencioso, silencioso,
Tateando às cegas este caminho sinuoso
Vou tocando no seu corpo e te beijo, te
beijo,
E no seu corpo me encontro, me vejo.
Constato pelo meu tato, pelo meu tato
A
perene leveza que há no seu ato...
E a certeza de que no coração, no coração
De
um poeta há sempre uma nova paixão.
TIMIDEZ
“Escrever é o mesmo que
esculpir pensamentos.”
Na minha timidez, não há nada
Que
me tire desta insensatez.
Sou alma tímida...
À espera de algo que me aconteça
E
me faça ser feliz de vez
Nessa
espera angustiante
Não
há uma atenuante.
Sou alma tímida...
Não conheço o esplendor
E
quase tudo me causa pavor
Não
ouso, não corro riscos
E
comigo, sozinho, sempre fico.
Sou
alma tímida...
E
talvez, por isso, este poema nunca termina...
VENHO
A TI, SENHOR
“Quando falares com teu deus,
ainda que em silenciosas preces,
seja humilde, ajoelhe-se!”
Venho a
Ti, Senhor, para agradecer...
O ar que respiro no sopro da vida
A
luz do dia, das estrelas e do luar
A
noite silenciosa, sombria e misteriosa.
A
chuva que mata a minha sede,
Lava
a minha alma, irriga os campos,
Alimenta
os rios e todos os mares.
Venho a
Ti, Senhor, para pedir...
Perdão pelos meus julgamentos injustos
Compaixão
pelas minhas faltas com o próximo
E
muito, muito amor no meu coração.
Tolerância
para com a minha impaciência
Compreensão
para com a minha ignorância
Dos
Teus desígnios, de Tuas leis e de Tua sabedoria.
Venho a Ti, Senhor, para
suplicar...
Liberdade aos oprimidos
Esperança
aos desolados
Paz
aos que estão em guerra
Caminho
aos desorientados.
Consolo
aos enfermos
Alívio
aos angustiados
Piedade
aos que têm sede de vingança
Humildade
aos soberanos
Confiança
aos de pouca fé e
Bondade
aos de coração petrificado.
Venho a
Ti, Senhor,...
Sorrindo, alegre, de coração puro
E
braços abertos para Te receber
Hoje
e todos os dias da minha vida.
Pois,
foi assim que Tu meu Criador,
Um
dia me fizeste à Tua semelhança
Sobretudo,
para viver e ser eternamente feliz.
Lembranças de Amigos
PALAVRAS
Octávio Calonge
“Escritor
e poeta. Amigo
e
otimista convicto”
Eu sinto palavras desesperadas
querendo
explodir dentro de mim.
Primavera, velhice, fervor, claridade
que
querem que faça
de
sonoro e memorável para vocês?
De
verdade,
gostaria
que saíssem de mim
carregadas
de magia e facilidade
como
um rio
que
resvala entre as pedras
num
dia de sol.
Gostaria de escrever poemas
com
a simplicidade que o fazem
as
árvores
que
ladeiam os córregos,
testemunhas
solenes
do
sereno e da tormenta.
Me
cansa esta vida
de
mudo observador;
gostaria
que Deus
me
emprestasse seu verbo
para
explodir em imagens
que
levassem as pessoas
a
refrescar-se nos mananciais,
a
queimar-se nas frustrações,
a
redimir-se nas manhãs
que
eu lhes inventaria.
Se eu tivesse a palavra de Deus
seria
como o mar
arisco
e eloqüente,
ébrio
de lua, sol e ventos,
dono
de mil línguas
frenético
irresponsável
em
excitação e potência.
Seria
o pescador entusiasta
que
arrebataria algas e mistérios
escavando
as
entranhas mais ocultas.
Seria dono do vaivém
de
amar, destruir e odiar,
teria
o poder
de
afogar com meus braços
de
possuir com meus delírios
de
violar com meus beijos.
Se tivesse a onipotência de Deus
seria
o mais louco
dos
poetas e dos deuses
e
com meu verbo faria vida
perplexidade,
entusiasmo e morte...
...mas,
Ele apenas observa
e
não me empresta sua poesia
JBNU,
MINHA FICÇÃO MAIS REAL
Alfredo Assumpção (Lé)
“Poeta
amigo, criativo,
nascido
em Anta”
I
AMIGO
Quando a saudade bate no meu peito
eu
fico assim desse jeito.
E
amanheço pensativo no meu leito.
Amo
você que ainda não conhecia, amigo...
Que,
como sós os mestres saberiam,
Para
mim lindos sonetos deixou.
Aos
poucos e devagarinho, sobre mim,
lembranças
e nuanças fez vir.
Como
se você estivesse na minha realidade,
E
tudo se fizesse como eu quisesse...
Quis
por um instante
que
tudo se tornasse realidade constante.
Vendo
que as rosas iriam murchar
quando
o orvalho secasse
Na
manhã do dia seguinte,
quando
a primavera terminasse.
E
dos seus poemas brotaram versos seus,
alicerce
da minha viagem
II
MINHA
Nas entranhas desta cidade
Ela
tinha cara de menina, jeito de menina,
Mas
menina nela não tinha.
Devia,
então, amá-la solitariamente,
Do
meu corpo junto ao seu,
a
cada toque descobria o meu.
Teu
seio era qual um veio.
Sentia
nos dedos a ternura da sua pele macia
Os
seus cabelos minhas mãos acariciavam.
Ah!
que vontade de um beijo molhado.
Que
deixasse meu corpo suado.
Ela
estava toda nua.
Deixava
que eu a visse.
Nenhuma
palavra disse
Sequer
fingiu-se de pura.
Nada
a importunou
Nem
mesmo minha loucura.
Foi deveras minha e somente minha
Por
pouco e bem pouco naquela tardinha.
PAIXÃO
Andréa Notari
“Amiga sincera e sensível,
criatura do amor”
Me disseram que estou apaixonada
Só
falo em você
Só
penso em você
Só
sonho com você
Só
com você!
Não vejo a hora
passar
Só penso em te encontrar
Para poder te amar
O medo de não ser amada
Deu
lugar a uma paixão desenfreada
Sem
medo de pecar
Sem
medo de amar
Sem
medo de errar
Meus olhos estão
brilhando
Meu rosto irradiando
Acho mesmo é que estou te amando!
MEU
PAI
Daniel
“Filho
amigo de
todas as horas”
Meu
pai me ensinou a falar,
Meu
pai me ensinou a andar,
Meu
pai me ensinou a andar de bicicleta,
Me
ensinou até a pescar lambari!
Ele
me ensinou a sonhar.
A
vencer e a superar tudo...
Meu
pai me ensinou a viver!
Mas,
ensinar a amar meu pai,
ninguém
me ensinou...
Pois
disso, nem precisou!
Feliz Natal!
dezembro/99
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