quarta-feira, 8 de abril de 2015
















Ensaio literário dedicado às mulheres do século XX,
que amaram com liberdade seus homens.











              “A minha palavra é
              a espada que corta,
              é a pluma que toca”.


Ficha Técnica


SUMÁRIO


Beijo de mãe........................................................................................... 7
Auto-retrato........................................................................................... 8
Reminiscências.................................................................................... 14
Toda mulher......................................................................................... 15
Quando................................................................................................. 17
Me deixe ver você............................................................................... 19
Alegoria................................................................................................ 21
O canto do sabiá.................................................................................. 22
Um novo amor..................................................................................... 24
Esquecidos lírios................................................................................. 25
As quatro estações............................................................................... 27
A amante.............................................................................................. 29
Uma alegria......................................................................................... 31
O tempo não passa.............................................................................. 33
Il tempo non passa.............................................................................. 34
A ótica do nosso amor......................................................................... 36
Balada do pescador............................................................................. 38
Minha amada...................................................................................... 39
Tributo a paraíso................................................................................. 41
Amar em silêncio................................................................................. 42
Amare in silenzio................................................................................ 44
Sublime ser........................................................................................... 46
Dualidade............................................................................................ 47
Preferências......................................................................................... 49
Vontade de te amar............................................................................. 54
Amor verdadeiro................................................................................. 56
Luíza.................................................................................................... 58
Alguém................................................................................................. 60
Fim do mundo..................................................................................... 61
Só saberei............................................................................................. 63
Amores noturnos................................................................................. 65
A noite e o dia..................................................................................... 66
Solidão................................................................................................. 70
O veleiro e a vida................................................................................ 71
Te quero................................................................................................ 73
Timidez................................................................................................ 75
Venho a ti, senhor............................................................................... 76

Lembranças de amigos
Palavras............................................................................................... 80
JBNU, minha ficção mais real.......................................................... 83
Paixão.................................................................................................. 86
Meu pai................................................................................................ 87


BEIJO DE MÃE

“A todas as mães,
em especial àquela
que me deu a vida.”


Seu amor sublime e angelical,
Tal qual uma nota musical
De um solfejo inebriante,


Ao sabor do vento
E para meu alento...


Minha face tocará num instante,
Toda vez que, da sua ausência
E com saudades, meu coração clamar...
pela sua presença.



AUTO-RETRATO

“Sou prisioneiro,
da minha consciência
e das minhas responsabilidades.”

I

Nome: João Batista.
Só poderia ser este.
Promessa para o Santo.
Sobrenome: Brito Cardoso de Pádua.

Altura: mediana, 1,75 cm.
Largura: cada vez maior
Sapato:41. Esconde o que há
de mais bonito em mim.

Sou da pequena Birigüi.
Embora tenha estado lá
uma única vez, gostaria de nela
ter vivido e de lá jamais ter saído.

Nasci em 1959 no dia internacional
da ressaca, 2 de janeiro, e é por isto,
que ao primeiro gole, costumo ficar de porre.



II

Minha infância pobre teve início
em Araçatuba e se findou no Paraíso,
a cidade dos Ipês das Minas Gerais,
de onde guardo boas lembranças...

Dos tempos de juventude,
das namoradinhas e das serestas
nas longas e frias madrugadas.

O destino para longe dali
logo me levou, fazendo-me,
da noite para o dia,
meio órfão de pai e mãe.

Na vida precoce de adulto,
muita dificuldade enfrentei,
Desistir algumas vezes pensei,
mas nunca naufraguei.

Sou espiritualista convicto.
Jamais deixarei de ser,
pois se assim eu não o fosse,
neste mundo já não estaria.


III

Tudo para mim sempre
aconteceu muito cedo.
Levantar cedo é coisa
que não me apetece,
dormir também não.

Para a escrita despertei-me
um pouco tarde. Do tempo
que ainda me resta,
tentarei fazer o melhor.

Casei-me cedo. Também cedo
fui pai por duas vezes e logo pensei,
que não mais o seria novamente.
Mas, as pedras rolaram...

Da terceira vez achei também
que foi cedo e, confesso,
foi uma grande surpresa
ser pai outra vez.

De repente estou aqui
perplexo a caminho
da quarta vez e tudo
parece que aconteceu ontem.


IV

Acho sempre que não vou ter tempo.
O tempo que preciso e talvez por isto,
vivo sempre com pressa... de olho no tempo,
como determina meu planeta regente Saturno.

Amei muitas mulheres,
mas nem todas sabem disto.
Duas delas amo em especial:
Bianca e Luíza.

Esta última ainda não
conheço está por nascer.
Em breve, eu a terei nos braços
quando ao mundo vier.

Dizem que sou poeta,
mas só faço versinhos de amor,
quando baixa a inspiração.
Sou intimista e sentimental demais.


V

Detesto mulheres mal arrumadas,
fome, homens presunçosos, dor,
criança chorando, escândalos...
Críticas? Bastam-me as minhas.

Sempre me achei mediano.
Mediano em quase tudo.
Sempre estive buscando o fiel
da balança. Ah! Que utopia!

Sou um idealista.
Humanista por convicção.
Simples por natureza.
Perseverante por vocação.

Nunca fui muito ousado
muito menos abusado,
As mulheres muito admiro,
respeito e idolatro.


VI

Gosto de viagens, peixes, mar,
liberdade, muita liberdade.
Amigos? Poucos, muito poucos,
meus filhos em particular.

Me acho um mau marido.
Porém, como amigo, nem tanto.
Na cozinha só lavo pratos.
Na sala me queixo do jantar.

Sou diplomata por vocação,
teria sido um bom advogado.
Administro muito bem,
mas só o que é dos outros.

Meu lema é a confiança.
Viver é meu maior desejo.
Minha força é a esperança.
Amar sempre...é tudo que almejo.




REMINISCÊNCIAS

“Alimente sonhos,
seu futuro está na sua mente
e depende deles.”


Os beijos que tu me deste eram doces como mel,
Mas se foram logo, como nuvens passageiras no céu.
Os carinhos que outrora me fizeste com teus abraços,
Hoje, só os tenho nas recordações dos nossos laços.

Contemplo nosso passado e desejo o porvir.
Numa palavra, num gesto teu que me faça sentir
Meu pulso, minha força, meu eu, meu sentido,
Para esquecer de vez o tempo perdido.

Minha alma que transcende a razão
Me leva a trilhar desconhecidos caminhos do coração
Em busca de novos amores e a outros esquecidos.

Vejo teu semblante em cada rosto, em cada feição
De mulher, de menina, ainda que pouco parecidos...
Mas, é assim que me deixo levar nas reminiscências da paixão.




TODA MULHER

“A natureza não é só bela
como também harmoniosa e rica,
sobretudo transcendental, ou seja,
vai além daquilo que imaginamos conhecer.”


Toda mulher tem a sua beleza,
Pode ser Jaqueline ou Tereza.
Toda mulher tem a sua ginga,
Pode ter dezoito ou mais de trinta.


Toda mulher tem um remelexo,
De quadril largo ou estreito,
De andar macio ou de qualquer jeito,
Por onde quer que passe, me faz cair o queixo.


Toda mulher tem a sua graça.
Qualquer sorriso que me faça
Me deixa sem graça, me acanha,
Me enche de manha, até me assanha.


Toda mulher tem a sua alegria
Quando menina inspira devoção
Quando mulher é toda emoção
Ilusão dos sonhos, leva a devaneios e euforia.


Toda mulher tem o que tem
Mas, todo homem quer dar-lhe um vintém
Para que seja a odalisca de seu harém
Mas, engana-se quem pensa que não há um porém.




QUANDO

“Ninguém beija alguém
que não ama por muito tempo,
pois o beijo é a expressão maior
do carinho e da verdadeira paixão.”


No coração de uma mulher
Nunca se sabe qual amor que lá existe
Mas mesmo assim, na incerteza
Da existência deste sentimento
Nós, os homens, as amamos, as adoramos.


Há amores dúbios
possesivos
místicos
fraternos
impossíveis
joviais
inconseqüentes
e, por conseguinte...


Quando se ama uma mulher...

Se é capaz de tudo
E de até, se for preciso,
Morrer por ela.

Quando se ama uma mulher..

O sonho se torna realidade
E tudo é tudo e nada mais
A entrega é total, incondicional e para sempre
O amor é indissolúvel, intermitente.

Quando se ama uma mulher..

Tudo à sua volta se enleva
Se exprime como algo divino
E se chega à plenitude do verdadeiro amor
Da criatura do amor e do seu Criador.



ME DEIXE VER VOCÊ

“A realidade não me basta.”


Me deixe ver você!
Da última vez que amei você
Eu jamais vou me esquecer,
Te farei feliz, você vai ver!
Mesmo que seja pela última vez.


Me deixe ver você!
Mesmo que você não queira mais me ver
Quero ter você outra vez nos meus braços,
Sentir seu perfume, seu carinho e seu abraço.
Tente mais esta vez!
Mesmo que seja pela última vez.


Me deixe ver você!
Sei que mais uma vez não terei jamais!
Quero tocar os seus cabelos e a sua pele macia
Quero te envaidecer e te fazer feliz
Quero ver você sorrir outra vez!
Mesmo que seja pela última vez.


Me deixe ver você!
Quero guardar as lembranças
Para sempre no meu coração, para delas viver
Todos os dias que ainda me restam na vida.


E se eu jamais vir você...


Não mais me entristecerei,
Mesmo que você não mais venha me ver
Mesmo que seja esta a última vez!
Me deixe...




ALEGORIA

“Não há como viver com dignidade,
quando não há na vida... liberdade.”


Tudo para mim está suspenso
Não há nada em movimento
Nem mesmo um alvo lenço
Tremulando no firmamento.

Não há nada no pensamento
Nem mesmo um encanto
A me acenar com um alento,
A levar-me daqui por enquanto.

Nem mesmo um sorriso, uma graça,
Ou uma nova e hilariante alegria
Não há nada ainda que me faça

Sentir uma extasiante e íntima euforia
Vinda de uma realidade que não passa
De uma constante e insensata alegoria.




O CANTO DO SABIÁ

“Compreender a natureza
é o mesmo que desvendar
os mistérios de Deus.”


O dia já vem chegando
Meu amor já vai embora.
O sol já vem raiando
Meu bem parte sem demora.

Me lembro das manhãs que ele, meu bem,
Para ouvir o canto do Sabiá
E ver o esmaecer do orvalho sobre a flora,
Juntinho de mim ficava.

Meu bem para mim sei que não mais voltará
Mas, quando ouço o canto do Sabiá, clamo pelo seu amor
Na esperança de ver meu bem, pelo menos mais uma vez.


Quando sinto que ele, meu amor
Para perto de mim não mais voltará
Para sentir o meu calor... choro, imploro,
Para ver meu bem e me sinto triste,
Coração partido, tristeza sem fim.

O sol aparece e lá no alto canta alegre o Sabiá.
Meu bem não vem e com o sol raiando no firmamento
Desaparece a esperança de ver o meu amor voltar para mim.

O Sabiá no seu lindo canto,
Faz meu íntimo sentir o seu encanto
E quem sabe! Por encanto o Sabiá no seu canto
Vai trazer para mim aquele que um dia foi meu encanto.

E quem sabe! Amanhã de manhã,
Meu amor como que por encanto...




UM NOVO AMOR

“Vivo em um constante estado de amor...”


Sem ao menos me dar conta um novo amor de mim se aproximou
Nos seus olhos vi chamas de uma grande paixão jamais vista antes
Serenidade no semblante com um sorriso nos lábios me beijou
Nos seus lábios senti um desejo ardente próprio e somente dos  amantes.

De mansinho foi chegando e profundamente me fitou
Da sua boca doces palavras suavemente saiam
Delicadamente suas mãos macias no meu corpo tocou
Daquele instante em diante nossos sentidos nada mais percebiam.

O calor de fim de verão nossos corpos nus na varanda aquecia
O vento com sua brisa refrescante lentamente foi nos cobrindo
O quebrar das ondas do mar azul bem ao longe se ouvia.

No cair da noite meu novo amor, assim como veio, foi se indo...
No meu íntimo o coração sossegado e tranqüilo mais forte batia
No mar adentro lentamente sua silhueta ao longe foi sumindo, sumindo...



ESQUECIDOS LÍRIOS

“Somos folhas secas desprendidas
de suas verdadeiras origens, que ao
sabor do vento, se juntam e se separam.”


Já falei das minhas andanças
Das minhas íntimas nuanças.
Já falei da natureza e da beleza que há
No luar de Paquetá e no cântico do Sabiá.

Já falei de flores,
Esqueci-me dos lírios.
Já falei de amores,
Esqueci-me dos lírios.

Esqueci-me dos lírios que há
Nos campos verdejantes.
Esqueci-me das flores que há
Nos campos de lírios alvejantes.


Como pude cometer tal ousadia?
Como e amiúde cometi esta avessia?

Oh! Lírios da minha terra querida,
Queridos lírios outrora por mim esquecidos.
Oh! Lírios que sois qual a minha vida,
Que nascem e renascem dia a dia rejuvenescidos.

Oh! Lírios! Que me tendes como amante
Tanto com o frescor do orvalho ao alvorecer
Quanto sob o calor do Sol inebriante,
Findo crepúsculo do entardecer.

Sob a chuva que vos traz a vida de Deus
Sob o vento que balança vossas copagens
Acenas para mim com um cândido adeus
Deixando-me com saudades destas paisagens.




AS QUATRO ESTAÇÕES

“Eu lhe asseguro que
tudo que possuo se encontra
acima dos meus olhos”

Já faz algum tempo
que se faz presente
Quatro estações
Na minha vida...

À primeira, o outono
Pródigo, rico e frutífero,
Dei o nome de Daniel.

À segunda, o inverno,
Misterioso, sombrio e acolhedor,
Dei o nome de Vitor.

À terceira, a primavera,
Bela, formosa e admirável,
Dei  o nome de Bianca.


À quarta, o verão,
Alegre, expansivo e energético,
Dei o nome de Luíza.

Todas elas, as estações, com suas
Respectivas e típicas belezas
Se completam e são,
sobretudo, a razão
Do meu viver.

e é por isso, Papai do Céu,
Que todas os dias
No silêncio do meu quarto,
Eu Te agradeço imensamente.




A AMANTE

“Escrevo poemas porque gosto
e crônicas para quem gosta.”


Às vezes sim, às vezes não,
Você me beija com tanta paixão
Que me faz pensar só em ilusões,
Me faz sentir novas emoções.


Meu bem, meu bem...


Nos seus carinhos me sinto amada
Nos seus abraços me envaideço
Me entrego, me enlouqueço,
Me sinto uma chama inflamada.


Meu bem, meu bem...


Quando me diz em voz baixinha teus enganos
Me esqueço de todos os meus desenganos
E me entrego a você na minha intimidade
Onde nos amamos com total liberdade.


Meu bem, meu bem...


Ah! Que volúpia tem sido a nossa sina
Você aqui, me amando, tanto me fascina
E mesmo por um proibido instante
Me faz feliz e alegra meu viver inconstante.




UMA ALEGRIA

“A vida é um doce à altura
do seu paladar.
Nunca coma demais!


Quero uma alegria...

Só uma alegria
Uma simples alegria
Uma alegria de criança
Uma alegria autêntica,
Sincera e esplêndida.

Quero uma alegria...

Que me faça sorrir
Um sorriso real,
Verdadeiro e natural.
Que me faça esquecer
De tudo que não fiz
Que me faça sorrir
De tudo que sempre quis.


Quero uma alegria...

Com esperança,
Com olhos de criança
Sobretudo, quero ser feliz
É tudo, tudo que sempre quis
E depois de tudo...

Depois de uma alegria
Ainda que tardia,
Mesmo que seja uma única,

Uma única alegria...

Na manhã do dia seguinte,
Se não mais eu estiver aqui,
É porque morri feliz, muito feliz.



O TEMPO NÃO PASSA

“Quem planeja conhece o futuro.
Se for alguém de fé então,
já pode gastar por conta.”


No vaivém de gente que passa na praça
Não vejo ninguém que me faça
Um aceno, um sorriso, uma graça....
O tempo não passa.

Nas silhuetas de gente que nem conheço
Nos jeitos de alguém que vem pelo meu lado direito
Vejo um jeito de ver você de qualquer jeito.
Mas, não a vejo e quase me endoideço....
O tempo não passa.

Contemplo a árvore, o pássaro, o céu
Faço seu nome num risco sobre o papel
Rabisco palavras... palavras sem sentido
Sinto saudades no meu coração doído...
O tempo não passa.

Na minha ficção vivo uma ilusão
Na esperança da sua vinda as lembranças se vão
Resta-me apenas o tempo em que um dia talvez....
Uma grande paixão aconteça e me faça o tempo passar de vez.




IL TEMPO NON PASSA

Versione: Ornella A. Kuacchia


Nell’ andirivieni di gente
Che nella piazza passa
Non vedo neanche uno che,
Un cenno, un sorriso, un gesto mi faccia....

Il tempo non passa.

Dal profilo della gente sconosciuta
Che si aggira
Dal modo come qualcuno alla mia destra
Si avvicina
Mille modi di vederti la mia mente rimugina
E non vedendoti, la testa mi gira...


Il tempo non passa.

Contemplo l’albero, l’uccello, il cielo
Il tuo nome abbozzo su un foglio
Parole... parole senza senso scarabocchio
Nostalgie nel mio cuore sofferto risveglio...

Il tempo non passa.

Un’ illusione vivo nella mia fantasia
Nella speranza del tuo arrivo
Ogni reminiscenze va via
Mi rimane soltanto il tempo in cui
Um giorno chissà...
Una grande passione sopravvenga e
Il tempo mi faccia passare.




A ÓTICA DO NOSSO AMOR


“Creio que nasci para o amor mas,
talvez por ele, morra também.”


O nosso amor não tem fim
De repente, começa assim...
Tudo se finda num único tempo
Imensurável, volátil, como o vento.

O nosso amor é descabido
Não pode sequer ser medido
Nem por mim, nem por ninguém
Mesmo que queira, nem por você também.

O nosso amor é assim... acontece,
De manhã, à tardinha e quando anoitece...
Até parece uma loucura,
Mas é uma eterna gostosura.


O nosso amor é nosso, meu e seu
Só mesmo eu e você, você e eu
Sabemos o quanto ele é nosso
Só que às vezes, dele eu me aposso.

O nosso amor nos conduz
A mim e a ti, como uma luz
Que reluz sobre espelhos de marfim
Onde me vejo em ti e você em mim.

O nosso amor continua...
Ainda que diante de mim,
Meio sem graça, você... quando nua,
Se entrega e me ama muito afim.

E assim... nos transformamos numa única fonte
Qual feixes de luzes a brilhar no horizonte
Sobre o vértice de um prisma que se unem
E, após o arco-íris que se forma, se dividem.





BALADA DO PESCADOR

“O entardecer é a esperança de
um novo dia, tão lindo quanto o que se finda.”


Vai pescador, vai pescar seu peixe
Encha seu coração de esperança
Esqueça as tormentas da vida e deixe
Sua alma brincar, tal qual a de uma criança.

Sorria para a mãe natureza
Respire fundo o frescor da manhã
Sinta o Sol que doura a sua pele com leveza
Ouça o cantar estridente da Araquã.

Veja à sua volta as águas cristalinas
Que correm em direção ao mar
Levam consigo seus sonhos além das colinas,
Mas nunca deixam de te encantar.

Balança pra lá, balança pra cá,
Teu barco sobre a balada
Das ondas que fazem chuá, chuá,
Que trazem você de volta... de volta para a sua amada.





MINHA AMADA

“O amor é um sentimento primitivo,
próprio da criação e muito longe da razão.”


Seus segredos ainda não os conheço
Sequer faço parte dos seus devaneios
Sinto o perfume que há em seus seios
Quando, na quietude, ao seu lado amanheço.


Entre nós, há sempre uma doce fragrância
Toda vez que você com suave elegância
Me beija, me ama, sorrindo me abraça,
Me faz um aceno e me deixa sem graça.


No seu olhar há lampejos
De toda uma vida a brilhar
No meu olhar há desejos
De uma nova vida a trilhar.


E a vida, ainda que breve e incerta,
Me enche de amor e esperança
Qual uma criança viva e esperta
Que faz da fantasia uma lembrança.


Seu sorriso ingênuo me seduz
A loucuras mil me conduz
Ainda que, por um instante fugaz,
No meu íntimo posso sentir a sua paz.


Entre tantas outras minhas
Outrora, lindas namoradinhas,
Encontra-se em você, minha amada,
A ternura por mim tão desejada.





TRIBUTO A PARAÍSO

“A miséria é a privação do corpo,
a ignorância é a da alma.”


Levando ilusão no coração
Em busca de uma nova vida
Esta cidade, Paraíso, terra querida
Certo dia, me viu partir sob forte comoção.

Andei por tantas outras diversas cidades
Vi aqui e ali desilusão e calamidades
Por onde quer que já passei
De ti, Paraíso, sempre falei.

De saudades de ti sempre me queixei
Até para íntimos amigos confessei
Que um dia para perto de ti voltaria
Cidade Paraíso, cidade dos Ipês, cidade alegria.

Espere por mim, meu torrão, meu Paraíso
De braços abertos e com um grande sorriso
Qual mãe que recebe seu filho um dia perdido,
Mas que sempre será seu filho... filho querido.





AMAR EM SILÊNCIO

“O amor é o sentimento
dos seres imperfeitos,
posto que a função do amor é levar
o ser humano à perfeição.”
Aristóteles


Um amor em silêncio...
É o prelúdio de uma tempestade
que nem sempre acontece,
Um amor em silêncio...
É tal qual a dor do parto
que naturalmente se sucede,
Um amor em silêncio...
É desejar intensamente por excelência,
Um amor em silêncio...
É viver uma grande paixão por antecedência.

No meu silêncio...
Vejo você, ainda que estejas ausente,
No meu silêncio...
Você, amiúde, se faz presente,
No meu silêncio...
Você, por onde quer que eu ande,
é a minha amada amante,


No meu silêncio...
Me encerro, me fecho,
num crepúsculo intrigante.

Vivo no meu silêncio...
Um amor quase que insano
Vivo no meu silêncio...
Um amor quase que profano
Vivo no meu silêncio...
Uma verdadeira fantasia
Vivo no meu silêncio...
Uma alegoria que me extasia.

Amar em silêncio...
É o mesmo que, na agonia,
pela primavera esperar,

Amar em silêncio...
É o mesmo que, na ansiedade,
esperar pelo dia seguinte,

Amar em silêncio...
É um eterno esperar e por conseguinte,

Amar em silêncio...
É admitir que este amor,
jamais morrerá de tanto... esperar.




AMARE IN SILENZIO

Versione: Roberto Sabelli


Un amore in silenzio
é il preludio di una tempesta
che non sempre arriva
Un amore in silenzio
é il dolore del parto
che naturalmente si avvicenda
Un amore in silenzio
é desiderare intensamente il massimo
Un amore in silenzio
é vivere una grande passione anticipatamente.

Nel mio silenzio...
ti vedo ancorché tu sia assente,
Nel mio silenzio...
tu, ripetutamente, appari
Nel mio silenzio...
tu, dovunque io vada,
sei la mia amata amante
Nel mio silenzio...
mi nascondo, mi chiudo,
in un crepuscolo intrigante.


Vivo nel mio silenzio
un amore quasi insano
Vivo nel mio silenzio
un amore quasi profano
Vivo nel mio silenzio
Una vera fantasia
Vivo nel mio silenzio
una allegoria che mi manda in estasi.

Amare in silenzio...
é come, nell’agonia,
aspettare la primavera,
Amare in silenzio...
é come, nell’ansietá,
aspettare il giorno dopo,
Amare in silenzio...
é un’eterna attesa e infine,
Amare in silenzio...
é dover ammettere che questo amore
mai morirá per tanta... attesa.



SUBLIME SER
“A melhor maneira de ser feliz,
ainda é... celebrar a vida todos os dias”.


Na perene beleza feminina
Na meiguice subjacente
No olhar de vida presente
Há sempre traços de menina.

No olhar, no andar, na esquina,
Figuras como mulher competente.
Agente e delicada, qualquer um fascina.
Como amante e mãe serás eternamente...

Com admirável e notável beleza
Inspira aventureiros, poetas e amantes,
Encanta homens e Deuses com sutileza.

Na Terra serás sempre como brilhantes,
Raros, ofuscantes, eternos e perfeitos
E jamais te arrependerás dos teus feitos.




DUALIDADE


“Há verdadeiras amizades
disfarçadas de amor, sem ciúmes,
sem posses e rancores.”


I

Ah! Que tormento!
Tem sido este meu viver.
Para sobreviver...
Preciso de um alento.
Não vou chorar! Pelos miseráveis.


Não há lugar no mundo
Onde eu possa descrever
A amargura que me vai fundo
No coração, com este meu viver.
Não vou chorar! Pelos infelizes.


II

Há tanto tempo me domina
Esta impiedosa tormenta
Da qual minha alma se alimenta
E em vão se abomina.
Não vou chorar! Pelos meus amores.


Vivo em constante dualidade
Possuído por ilusão e realidade
Entre verdade e mentira
Que o meu viver, a cada dia, me atira.
Não vou chorar! Por mim...
Pois posso morrer a qualquer momento.




PREFERÊNCIAS


“A dor é inerente à vida,
pois não há vida sem dor e
não há dor onde não há vida.”


I

Gosto do campo, ar puro e do verde das matas...
Respiro fumaça na cidade cinzenta e sem cores.

Gosto da paz e do sossego do meu canto...
Corro risco de vida em cada esquina no agito urbano.

Gosto de Vinícius, Machado de Assis e de Drummond...
Diante deles sou tão pequeno!

Gosto de Cazuza, Renato Russo e Elis Regina...
Estão todos mortos.
Nunca os vi pessoalmente.
Que pena não?


II

Gosto do mar e também de navegar...
Moro tão longe que dele até me esqueço.

Gosto de viajar, de conhecer novos lugares...
Já me esqueci da última viagem que fiz.

Gosto dos meus filhos e das minhas filhas...
Deixei meus pais ainda criança
porque me julgava infeliz.
Que impetuosidade!
Me arrependo do que fiz.

Gosto da juventude e da vida...
A primeira já se foi há muito tempo e eu nem percebi
A segunda, bem... estou morrendo dia a dia, logo...
Tenho pressa. Muita pressa, pois a cada dia
Vai se indo o resto de vida que suponho ainda ter.


III

Gosto de festas, shows, luzes...
Me fecho numa intrigante timidez
Me queixo, sem razão, da falta de amigos.

Gosto de whisky e de tabaco...
Meu fígado, coitado, nem um pouco e o pulmão então....
Melhor esquecer isto e mudar de assunto.


IV

Gosto de mulheres, de muitas e da minha também...
Às vezes me sinto só. Abandonado por elas
E as culpo por isso injustamente. Reconheço.

Gosto da noite, da lua e das madrugadas silenciosas...
Trabalho o dia inteiro e não vejo um crepúsculo sequer.


Gosto de poesia, de rima e de beijos molhados...
Só os tenho tido secos
e as poesias que leio não me apetecem
Quanto às rimas, estão fora de moda.
Tento não usá-las.

Gosto do amor e da paixão...
Onde estará a minha? Nem eu mesmo sei.


V

Gosto da leitura. Tenho muita sede do saber...
Com tudo que tenho por fazer
Não me permito saciar esta sede.

Gosto da escrita como gosto de viver...
Vivo para escrever, não escrevo para viver
Acredito que tenho algo para dizer.


E assim...

Vou vivendo meus pequeninos dias
Talvez nem tanto como gostaria, porém,
Nesta interminável gostosura que é viver,
Vivo gostando, amando, brincando, chorando
E tudo vai se juntando... juntando... juntando...

Até que um dia... quem sabe!
Eu não mais me sentirei
Tão pequeno
Tão insignificante neste universo
Tão imenso... imenso... imenso.




VONTADE DE TE AMAR


“Quando se ama,
não há nada a temer,
pois o amor é a maior
força do Universo.”


Chega ao fim mais um dia brilhante e ensolarado
Deste início de primavera tropical que se insinua.
Sob um crepúsculo intrigante, carnal e declarado,
Vejo você em parcas nuvens. Está quase nua.
Ah! Que vontade de te amar!


Me entrego a profundos devaneios que só eu mesmo
E minha alma conhecem os verdadeiros caminhos.
Me aquieto, me fecho, me busco em carinhos
Que não ouso revelar a alguém e a esmo.
Ah! Que vontade de te amar!


À distância, nuvens e sonhos rapidamente se dissipam,
Em um piscar de olhos me volto para a minha realidade.
O cantar de vaidosas cigarras a toda volta me invade,
As folhas secas que caem do alto suavemente me apalpam.
Ah! Que vontade de te amar!


Sou tão pequeno para conter toda essa paixão
Que deságua do fundo do meu ser em prantos.
Me entrego, me rendo. Vencido, vou ao chão
E me ponho a soluçar. São tantos soluços, tantos...
Ah! Que vontade de te amar!


Me recomponho como uma frágil planta ao renascer.
Respiro fundo. Permito que a brisa tome conta de mim.
Uma última lágrima insiste em cair sobre o jasmim
Que seguro com mãos tremulas para te oferecer.
Ah! Que vontade de te amar.




AMOR VERDADEIRO


“Às vezes, o ar que respiro
e o seu amor
é tudo que preciso para viver.”

Um amor verdadeiro...
É um amor espiritual,
Tal qual o de Romeu.
Que é igual ao meu,
Total, incondicional
E... por inteiro.


Um amor verdadeiro...
É um amor de olhos que brilham
É um amor de corações imbuídos
De eternas chamas. De almas que trilham
E comungam caminhos escolhidos
Mas que nunca se consomem por inteiro.


Um amor verdadeiro...
Qualquer que seja seu hospedeiro
Tem de ser vivido na sua plenitude
Com dedicação total e atitude
De quem ama porque ama!
Sem dramas e nenhuma trama.


Um amor verdadeiro...
Tem de ser um amor transcendental,
Com leveza e clareza mental.
Atual no seu tempo, mutável,
Tal como o ar, volátil, renovável,
Puro, pleno, para sempre e... por inteiro.


Um amor verdadeiro...
É um amor único, sem ser somente um,
É um meio sem ser meio ou parte de algum,
São forças em metades e separadas que se juntam
Que se unem, que se complementam
E naturalmente se amam por inteiro...
Sob os desígnios e a vontade
de um deus também verdadeiro.



LUÍZA

“O amor pertence à natureza,
simplesmente acontece, a
qualquer momento, amiúde,
quando o dia amanhece.”

Teus olhinhos são tão negrinhos
Teu sorriso aberto é tão faceiro.
Faço parte de ti por inteiro.


Tua meiguice inigualável é tão pura
Teu jeitinho especial e teus carinhos...
Hum! São uma doçura!
Ah! Luíza, minha Luíza!


Tu, meu amorzinho, tanto me fascina
Que me esqueço de tudo. Oh! Meu Deus!
Meus olhos, criatura, são todos teus.


Dos sonhos de Arlequim és a Colombina
Nunca vi tanta alegria assim menina!
Acho mesmo que és para mim uma sina.
Ah! Luíza, minha Luíza!


És a cunha da minha fenda,
Que me completa perfeitamente,
Que me farás feliz como numa lenda.


E é por isso, e tudo mais, que me rendo
A todas as evidências da minha mente.
Meus braços para o teu abraço estendo...
Minha filha, Luíza!



Alguém

“Na vida tudo é relativo e mutável.
Você não é a mesma pessoa de ontem
e nem será a de hoje, amanhã.”

Em todo lugar há sempre alguém
 Que sempre procura alguém, mas
Há sempre alguém sem ninguém,
E esse alguém não encontra paz.

Até parece que a felicidade consiste
No encontro de alguém, que julgamos
Compreender o que nós, egoístas, amamos.
Mas será que esse alguém realmente existe?

Na inquietude da nossa jovem alma
Buscamos, amiúde, outra gêmea
Tal qual macho e fêmea
No encaixe perfeito e sem trauma.

E desta insólita busca interminável
Nascem e morrem encanto e sonhos
Cada qual com seus desfecho formidável
E alguns até, confesso, muito estranhos. 



FIM DO MUNDO

“A dedução é o caminho
mais curto para o erro.”


O mundo acabou!
Sim, o mundo acabou amigo!
Veja você mesmo...

Não consigo falar com meus amigos
Nem mesmo quando uso aquele brinquedo!
Aquele moderno brinquedo falante
Que, hoje em dia, todo mundo deseja.

Quando me telefonam não me encontram,
Quando é a minha vez o mesmo acontece.

No dia a dia, daqui pra ali, me vou correndo
Me falta tempo para um deleite de um café,
De uma boa prosa e de um sossego,
Me falta tempo para quase tudo que faço.


Quero prestar atenção no espaço a minha volta,
Apreciar uma bucólica paisagem cinzenta,
O vaivém engraçado de gente apressada
Mas, a trepidância da cidade não me deixa.

O dia chega ao fim e anoitece
Bate no peito uma inspiração
Ensaia-se uma incipiente reação
Contudo, nada acontece.
Já é noite madura e com resquícios
Do que me sobrou de vida
De mais um dia de pouca vida,
Exaurido, me vou ao leito e lá,
Entorpecido, por um instante, adormeço.

O instante seguinte é de um novo dia
De corre-corre, de idas e vindas,
De apitos, grunhidos e de sofreguidão.
Quanto mais eu me apresso
Tudo a minha volta mais rápido acontece
Parece que não há um fim
Neste giro estonteante e sem fim.

Acho que perdi o meu expresso...
E o mundo acabou.





SÓ SABEREI

“Sabe qual é o seu tempo?
É agora.”

Oh! Tristeza se afaste de mim,
Pois saiba que no meu coração
Não há lugar para você.

Esta melancolia que toma conta de mim
Não me abate e não me faz desistir de viver.

Só os pobres de espírito,
Os fracos e os derrotistas se deixam levar
Na torrente da tristeza e da infelicidade.

Se a vida hoje não me oferece tudo que quero,
Será porque ainda não sei o que dela quero?

Se assim soubesse o que dela quero,
Me daria ela tudo que quero?

No dilema da vida só sei que...
Se chorei num dia,
num outro também sorri e
muitas lições tirei.


E quantos dias ainda
Na trilha da eternidade viverei?
E quantas alegrias ainda na vida sentirei?
E quantos afetos e abraços ainda trocarei?
E quantos sorrisos ainda darei?
E quantos ainda amarei?

Saberei se deixar fluir o meu viver.

Saberei se descobrir que o mais importante é viver.

Saberei se os momentos da vida
na sua plenitude eu souber viver.

Saberei se intensamente todos os minutos da minha,
só a minha vida, eu viver.

Saberei se viver e amar, amar e viver, viver
e amar, amar e viver, viver....





AMORES NOTURNOS
“Em casos de amor,
não ofereço garantias,
também não as peço.”
É no silêncio da noite
Que encontro o meu refúgio
É no silêncio da noite
Que me vejo como eu sou.

Na noite e no silêncio que se faz,
Falo comigo e com meus amores.
Relembro com desdém o passado
E almejo ansiosamente o futuro.

É na noite calma, fria e serena
Que os anjos sossegam meu coração,
Inquieto e ardente por novas emoções
Nem ele mesmo, indolente como é, sabe lidar.

É assim que eu e a noite — no silêncio — nos amamos.
Ela, acalentando assaz meu pequeno coração
E eu, me rendendo aos seus afagos e apelos,
Para no silêncio do meu quarto, conquistar a paz.




A NOITE E O DIA

“A vida é feita de escolhas,
todavia para cada escolha
há sempre uma renúncia.”


I

Houve um tempo em que a Noite,
cansada de ser escura e sombria,
rompeu com o Dia, pois do Sol
um pouco de luz a Noite tanto queria.


O Dia ficou triste e magoado
com a insolente Noite, outrora
sua companheira de tantas e tantas jornadas.
A Noite, contrariando a natureza,
rompia com o que havia sido por tanto,
tanto tempo, uma união perfeita entre luz e escuridão.


II

O Dia soube do Sol de que nada podia
contra aquela insistente mania da Noite
para possuir o calor e o brilho
de seus aconchegantes raios.


Diante da ameaça da Noite
de invadir o Dia e torná-lo para sempre
tão escuro quanto ela mesma,
o Dia amanheceu chorando.


Foi assim que o Dia
passou pelo meio-dia em prantos de mulher,
aguardando a Tarde que estava por vir...
Veio a Tarde e o Dia continuava chorando.
Agora, torrencialmente!


III

Aos céus! A Terra rogou
para que o Dia não mais chorasse,
mas não foi atendida.
Os pássaros voaram
para cada vez mais distante da Terra,
que ao todo já se enchia e nela
vida já não mais havia.


O Sol diante da agonia
da Terra prestes a sucumbir
com tanta água
e do interminável pranto do Dia...
clamou ao seu Criador
para que desse à Noite
ao menos parte do seu brilho.


Afinal, nele havia tanta luz e calor
que talvez nenhuma falta lhe fizesse.


O Criador, sabendo da loucura
do Sol em mudar o que estava perfeito,
permitiu que, à inconsolada Noite, cedesse
apenas uma parte de sua luz e beleza,
porém ao Sol advertiu que a vida poderia lhe custar.


I V

O Sol, de coração comovido,
com os desejos insanos da Noite
e compadecido por seu filho Dia,
rendeu-se aos apelos da Noite.


E é por isso que, hoje,
a Lua ilumina a Noite
e, no amanhã, ainda que distante,
não mais teremos o Sol,
cujo destino é desaparecer.
por amar com a sua própria vida
tanto o Dia, quanto a Noite, a Lua, a Terra...





 SOLIDÃO

“Nunca estou só,
ando sempre com ela
ao meu lado, a solidão.”


Daqui de onde estou, quase tudo que vejo
Sob a imensidão pálida do firmamento
É um modo de vida que já não mais almejo
E não há nada que possa servir-me de alento.

É um fim de tarde cinza, sombrio, de pouco vento,
Próprio de um dia quase que frio, ermo e sem desejo.
Não há no ar uma nova alegria, nem um novo ensejo,
Nem um colorido sonho renascido do esquecimento.

No fundo da minha alma, há algo firme, estático,
Intrigante e à espera de um crepúsculo iminente,
De um desfecho final alegórico, quase que fantástico.

Indefinido, irresoluto, indecifrável e intermitente
O vazio de uma solidão angustiante, cujo ensaio prático,
Nos palcos da minha vida, se faz sempre presente.





O VELEIRO E A VIDA

“Para a leitura de meus poemas,
dispensa-se o uso de dicionários.”


A vida se assemelha a um pequeno veleiro,
que tomado por uma calmaria dos mares,
fica pacientemente e solitariamente
por longos e angustiantes momentos,
à deriva e à espera dos ventos.


Os ventos...
quase que sempre sopram na direção
diversa da que almejamos e desejamos.
E isto nos leva a imprescindíveis ajustes
de rota na bússola fiel e precisa que nos guia.


Os ventos...
nem sempre são os mesmos,
tanto na intensidade quanto na direção,
não dependem de nossa vontade,


nem mesmo os finos grãos de areia,
que escoam do alto para baixo numa
minúscula ampulheta do tempo,
aguardam por nossa vontade.


Os ventos...
se movem paulatinamente,
sobretudo, naturalmente,
tal qual tudo na vida,
porém, para um desfecho
quase que sempre imprevisível.


Cada um de nós tem a sua bússola e o seu veleiro.
O veleiro é a sua vida, a bússola é a sua consciência.
Os ventos são os intempéries presentes na sua vida.





TE QUERO

“Esta vida, ainda que breve e incerta,
é plena de agradáveis surpresas.
Uma delas na minha foi encontrar você.”


Te quero, te quero,
Mas não te quero
Te querer me dói tanto, tanto
Que até a mim causa espanto.


Eu, que jamais, jamais,
Pensei em amar alguém a mais,
Me vejo agora e logo agora...
Prestes a uma paixão da hora.


Por isso, me pergunto, me pergunto...
Por que é que te quero assim... tão junto,
Tão junto de mim, se creio que tenho tanto
Mas, bem sei que nada tenho, portanto...


No meu diálogo silencioso, silencioso,
Tateando às cegas este caminho sinuoso
Vou tocando no seu corpo e te beijo, te beijo,
E no seu corpo me encontro, me vejo.


Constato pelo meu tato, pelo meu tato
A perene leveza que há no seu ato...
 E a certeza de que no coração, no coração
De um poeta há sempre uma nova paixão.



TIMIDEZ

“Escrever é o mesmo que
esculpir pensamentos.”


Na minha timidez, não há nada
Que me tire desta insensatez.

Sou alma tímida...

À espera de algo que me aconteça
E me faça ser feliz de vez
Nessa espera angustiante
Não há uma atenuante.

Sou alma tímida...

Não conheço o esplendor
E quase tudo me causa pavor
Não ouso, não corro riscos
E comigo, sozinho, sempre fico.

Sou alma tímida...
E talvez, por isso, este poema nunca termina...




VENHO A TI, SENHOR

“Quando falares com teu deus,
ainda que em silenciosas preces,
seja humilde, ajoelhe-se!”


Venho a Ti, Senhor, para agradecer...

O ar que respiro no sopro da vida
A luz do dia, das estrelas e do luar
A noite silenciosa, sombria e misteriosa.
A chuva que mata a minha sede,
Lava a minha alma, irriga os campos,
Alimenta os rios e todos os mares.

Venho a Ti, Senhor, para pedir...

Perdão pelos meus julgamentos injustos
Compaixão pelas minhas faltas com o próximo
E muito, muito amor no meu coração.
Tolerância para com a minha impaciência
Compreensão para com a minha ignorância
Dos Teus desígnios, de Tuas leis e de Tua sabedoria.


Venho a Ti, Senhor, para suplicar...

Liberdade aos oprimidos
Esperança aos desolados
Paz aos que estão em guerra
Caminho aos desorientados.
Consolo aos enfermos
Alívio aos angustiados
Piedade aos que têm sede de vingança
Humildade aos soberanos
Confiança aos de pouca fé e
Bondade aos de coração petrificado.

Venho a Ti, Senhor,...

Sorrindo, alegre, de coração puro
E braços abertos para Te receber
Hoje e todos os dias da minha vida.
Pois, foi assim que Tu meu Criador,
Um dia me fizeste à Tua semelhança
Sobretudo, para viver e ser eternamente feliz.





Lembranças de Amigos




PALAVRAS

Octávio Calonge
“Escritor e poeta. Amigo
e otimista convicto”


Eu sinto palavras desesperadas
querendo explodir dentro de mim.

Primavera, velhice, fervor, claridade
que querem que faça
de sonoro e memorável para vocês?

De verdade,
gostaria que saíssem de mim
carregadas de magia e facilidade
como um rio
que resvala entre as pedras
num dia de sol.

Gostaria de escrever poemas
com a simplicidade que o fazem
as árvores
que ladeiam os córregos,
testemunhas solenes
do sereno e da tormenta.


Me cansa esta vida
de mudo observador;
gostaria que Deus
me emprestasse seu verbo
para explodir em imagens
que levassem as pessoas
a refrescar-se nos mananciais,
a queimar-se nas frustrações,
a redimir-se nas manhãs
que eu lhes inventaria.

Se eu tivesse a palavra de Deus
seria como o mar
arisco e eloqüente,
ébrio de lua, sol e ventos,
dono de mil línguas
frenético
irresponsável
em excitação e potência.


Seria o pescador entusiasta
que arrebataria algas e mistérios
escavando
as entranhas mais ocultas.

Seria dono do vaivém
de amar, destruir e odiar,
teria o poder
de afogar com meus braços
de possuir com meus delírios
de violar com meus beijos.

Se tivesse a onipotência de Deus
seria o mais louco
dos poetas e dos deuses
e com meu verbo faria vida

perplexidade, entusiasmo e morte...

...mas,

Ele apenas observa
e não me empresta sua poesia





JBNU, MINHA FICÇÃO MAIS REAL

Alfredo Assumpção (Lé)
“Poeta amigo, criativo,
nascido em Anta”


I

AMIGO

Quando a saudade bate no meu peito
eu fico assim desse jeito.
E amanheço pensativo no meu leito.
Amo você que ainda não conhecia, amigo...
Que, como sós os mestres saberiam,
Para mim lindos sonetos deixou.
Aos poucos e devagarinho, sobre mim,
lembranças e nuanças fez vir.
Como se você estivesse na minha realidade,
E tudo se fizesse como eu quisesse...
Quis por um instante
que tudo se tornasse realidade constante.
Vendo que as rosas iriam murchar
quando o orvalho secasse
Na manhã do dia seguinte,
quando a primavera terminasse.
E dos seus poemas brotaram versos seus,
alicerce da minha viagem


II

MINHA

Nas entranhas desta cidade
Ela tinha cara de menina, jeito de menina,
Mas menina nela não tinha.
Devia, então, amá-la solitariamente,

Do meu corpo junto ao seu,
a cada toque descobria o meu.
Teu seio era qual um veio.
Sentia nos dedos a ternura da sua pele macia
Os seus cabelos minhas mãos acariciavam.

Ah! que vontade de um beijo molhado.
Que deixasse meu corpo suado.

Ela estava toda nua.
Deixava que eu a visse.
Nenhuma palavra disse
Sequer fingiu-se de pura.
Nada a importunou
Nem mesmo minha loucura.

Foi deveras minha e somente minha
Por pouco e bem pouco naquela tardinha.


PAIXÃO

Andréa Notari
“Amiga sincera e sensível,
criatura do amor”


Me disseram que estou apaixonada
Só falo em você
Só penso em você
Só sonho com você
Só com você!

Não vejo a hora passar
Só penso em te encontrar
Para poder te amar

O medo de não ser amada
Deu lugar a uma paixão desenfreada
Sem medo de pecar
Sem medo de amar
Sem medo de errar

Meus olhos estão brilhando
Meu rosto irradiando
Acho mesmo é que estou te amando!




MEU PAI

Daniel
“Filho amigo de
todas as horas”

Meu pai me ensinou a falar,
Meu pai me ensinou a andar,
Meu pai me ensinou a andar de bicicleta,
Me ensinou até a pescar lambari!

Ele me ensinou a sonhar.
A vencer e a superar tudo...
Meu pai me ensinou a viver!

Mas, ensinar a amar meu pai,
ninguém me ensinou...
Pois disso, nem precisou!

Feliz Natal! 
dezembro/99






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